O gabinete da chanceler Merkel aprovou na quinta-feira uma medida para enviar mísseis de defesa aérea Patriot para a Turquia como parte de uma missão da OTAN para evitar que a violência se espalhe através da fronteira com a Síria. Uma vez aprovado pelo parlamento, o mandato permitirá que os 400 soldados alemães também fiquem estacionados lá.
O gabinete alemão autorizou na quinta-feira o estacionamento de mísseis de defesa aérea Patriot alemães na fronteira turca com a Síria, como parte de uma missão da OTAN para ajudar a proteger a Turquia de possíveis ataques transfronteiriços. A missão envolverá até 400 soldados do exército alemão, o Bundeswehr, e também incluirá pessoal para aeronaves de vigilância AWACS e unidades de comando. O mandato tem limite de um ano com possibilidade de prorrogação.
A resolução do gabinete será aprovada pelo parlamento na próxima semana na câmara baixa, o Bundestag. A aprovação parece garantida, com os legisladores da coligação governamental de centro-direita da chanceler Angela Merkel esmagadoramente a favor, e os social-democratas da oposição também a planearem apoiar a medida.
“A Síria tem uma capacidade não insignificante de mísseis balísticos. Algumas centenas com um alcance de cerca de 700 quilómetros que poderiam atingir uma grande área da Turquia”, disse o ministro da Defesa alemão, Thomas de Maizière, na quinta-feira. “O governo sírio não demonstrou intenção de usar estes foguetes, mas queremos que continue assim.”
A medida surge em resposta a vários incidentes nas últimas semanas, quando morteiros sírios atingiram o lado turco da fronteira de 900 quilómetros entre os dois países, incluindo um no início de Outubro que matou cinco civis na cidade de Akcakale.
‘Agindo de forma protetora’
A missão alemã incluirá duas baterias Patriot, que possuem sistemas de radar sensíveis. Oitenta e cinco soldados acompanham cada bateria. Apesar do total máximo de 400 soldados permitido pelo mandato, apenas cerca de 220 soldados serão provavelmente enviados inicialmente, mais aqueles que tripulam as aeronaves AWACS que já estão na área.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos estados membros da NATO autorizaram a missão Patriot na terça-feira em Bruxelas, enquanto se aguarda a aprovação parlamentar nas legislaturas nacionais dos países envolvidos. Os EUA e a Holanda também enviarão, cada um, duas baterias Patriot para a fronteira, embora ainda não esteja claro onde exatamente elas serão estacionadas.
A Síria denunciou o plano da NATO, mas de Maiziére enfatizou na quinta-feira a natureza defensiva da missão. Oficiais militares insistiram que o sistema de armas só seria usado para interceptar mísseis que cruzassem a fronteira para o espaço aéreo turco. “Ninguém sabe do que tal regime é capaz e é por isso que estamos a agir de forma protetora aqui”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, em referência ao regime sírio do presidente Bashar Assad.
A medida surge num momento em que cresce a preocupação com o possível uso de armas químicas por Assad na sua batalha de meses contra uma insurgência da oposição. Vários membros da NATO, incluindo os EUA e a Alemanha, alertaram Assad nos últimos dias que não iriam ficar parados. sem agir se recorrer a armas químicas para manter o seu poder.
(Del Spiegel)



