Um tribunal islâmico da Malásia acusou na terça-feira um gerente de livraria de vender um livro de uma ativista lésbica muçulmana canadense que foi recentemente proibido no país do Sudeste Asiático.
Nik Raina Nik Abdul Aziz, que administra uma rede de livrarias na capital Kuala Lumpur, é acusado de distribuir “Alá, Liberdade e Amor”, de Irshad Manji. O Ministério do Interior proibiu o livro no mês passado depois de ter sido considerado ofensivo ao Islão, conter “elementos que poderiam enganar o público” e ser “prejudicial à ordem pública”.
Segundo o site de Manji, o livro “mostra a todos nós como conciliar fé e liberdade num mundo fervilhando de dogmas repressivos”.
Nik Raina pode pegar até dois anos de prisão e multa se o tribunal islâmico a considerar culpada, disse sua advogada Rosli Dahlan. Nenhum apelo foi registrado na terça-feira, com a próxima data do tribunal marcada para 19 de setembro.
Rosli disse que autoridades islâmicas invadiram a loja antes que a proibição do livro fosse oficialmente anunciada, e que a loja entrou com um processo judicial para declarar a operação ilegal.
Rosli acrescentou que Nik Raina não tinha autoridade para decidir quais livros vender e estava sendo escolhido porque os responsáveis pelo merchandising eram de etnia chinesa não-muçulmanos. Os não-muçulmanos não podem ser acusados em tribunais islâmicos.
A Malásia tem um sistema de tribunais islâmicos que funcionam paralelamente aos tribunais civis do país e administram questões civis para os muçulmanos, que representam cerca de 60 por cento dos 28 milhões de habitantes do país.
Manji lançou o livro, juntamente com uma tradução em malaio, num evento organizado às pressas em Kuala Lumpur, no dia 19 de maio, em meio a críticas de muçulmanos.
O seu livro anterior, aclamado internacionalmente, “The Trouble with Islam Today”, já está proibido na Malásia. A Malásia proíbe frequentemente livros, especialmente aqueles considerados obscenos ou contra os ensinamentos islâmicos.
Mas é raro que os tribunais islâmicos tenham como alvo as livrarias.
A Human Rights Watch, com sede em Nova Iorque, apelou ao governo para reverter a proibição do livro, dizendo que era uma “repressão estatal antiquada” e “cobarde”.



