Sendo uma das principais plataformas para o debate intelectual na Turquia, o Fórum Mundial TRT 2018 foi realizado em Istambul na semana passada com a participação de proeminentes académicos, pensadores, jornalistas, políticos, representantes de ONG e estudantes. O tema principal do Fórum foi imaginar a paz e a segurança num mundo fragmentado. Os participantes discutiram várias dimensões deste tema, tanto a nível regional como internacional.
O Fórum Mundial TRT é uma plataforma internacional emergente para uma análise abrangente dos problemas atuais no mundo. Ao longo das discussões e sessões de brainstorming, o Fórum permite aos participantes apresentar soluções para problemas estruturais que impedem a paz em diferentes partes do mundo. Uma vez que se pode argumentar que o conflito no mundo de hoje surge devido a 5 questões diferentes, nomeadamente, soberania, ideologia, segurança, independência e identidade, o Fórum Mundial TRT tem tido sucesso em prestar atenção a estas questões e propor formas alternativas de compreensão e resolver crises em curso a nível nacional, regional e internacional.
Durante as sessões de abertura e encerramento, “as transformações no sistema internacional desde a Primeira Guerra Mundial, a UE como um projecto pós-Segunda Guerra Mundial, a ascensão do Sul global, os actores regionais e a mudança na equação de segurança no Médio Oriente, o papel de liderança das mulheres na uma época de conflito, novos meios de comunicação e formação de confiança e cooperação internacional no combate ao terrorismo” foram o foco das discussões e soluções propostas.
Dado que o país anfitrião do Fórum foi a Turquia, os oradores prestaram especial atenção ao papel da Turquia no fornecimento da paz e na promoção da democracia na sua região. A instabilidade no Médio Oriente não é um fenómeno novo e, tal como foi analisado por alguns oradores, existem razões sociais, económicas e culturais subjacentes. Além disso, a maioria dos oradores enfatizou as mudanças nos conceitos de conflito e paz após a Segunda Guerra Mundial.
A Turquia tornou-se um agente de mudança ao conceber e coordenar iniciativas de paz para as pessoas comuns a nível regional e internacional. A diplomacia humanitária é o que diferencia a Turquia do resto do mundo.
Na verdade, no mundo de hoje, definir violência, conflito e paz não é tão fácil como era antes. Como um dos fundadores dos Estudos para a Paz, o triângulo de conflito de Galtung diferencia a violência estrutural, cultural e direta. Gultang indica que a inexistência de violência nem sempre significa que há paz. Ele faz uma diferenciação entre paz negativa e positiva e acrescenta que se houver violência estrutural e/ou cultural apesar da inexistência de violência direta. Esta situação deveria então ser chamada de paz negativa. A paz positiva, por outro lado, exige a inexistência de violência estrutural e cultural, além da ausência de violência direta.
Como sublinha Galtung, os oradores do Fórum Mundial do TRT também chamaram a atenção para a ambiguidade destes conceitos em tempos de pós-verdade. No entanto, a Turquia tornou-se um agente de mudança ao conceber e coordenar iniciativas de paz para as pessoas comuns a nível regional e internacional. Esta abordagem de diplomacia humanitária, conforme afirmado pelos oradores, diferencia a Turquia do resto do mundo, uma vez que a Turquia também presta atenção à construção de uma paz sustentável a nível social.
Os métodos tradicionais de proporcionar a paz falharam. Quase 300 acordos de paz assinados na década de 1990 fracassaram depois de algum tempo.
Porque é que a Turquia utiliza diferentes ferramentas diplomáticas para construir uma paz sustentável na ordem mundial? Especialmente depois da década de 1990, os métodos tradicionais de proporcionar a paz falharam. Por exemplo, quase 300 acordos de paz assinados na década de 1990 fracassaram após algum tempo. Além disso, a maioria das guerras nesta época terminou com a vitória de um lado e a proporção de resolução total destes conflitos foi muito baixa. Estes dados mostram que os esforços tradicionais de resolução de paz e de construção da paz não proporcionam uma transformação de conflitos com êxito.
Há necessidade de abordagens transformadoras nos processos pós-paz, a fim de garantir resultados mais sustentáveis. A Turquia, nesta fase, está a tentar construir uma paz sustentável, incluindo diferentes actores e grupos, e está a tentar aumentar a inclusão e o hibridismo das iniciativas de paz.
HAZAL DURAN



